Alemanha venceu! Merecido!
Os argentinos invandiram a cidade! Estavam hilários!
Dos holandeses eu senti pena, muita! Também mereciam! Fiquei dividida!
A seleção brasileira, coitados, passaram vergonha.
Mas quer saber?
Não esperava que esse evento poderia trazer tanta gente de fora, de tantas nacionalidades, culturas, etnias, credos e cores diferentes.
Num dia de jogo do Brasil, pra chegar mais rápido em casa, cortando caminho por Santa Teresa, eu e meu pai demos carona pra dois iranianos que não conseguiam táxi, muito gente boas, aliás. Até que um deles perguntou: "Por que no jogo dos EUA x Portugal vocês brasileiros estavam torcendo pros EUA? Vocês tem algum problema com os portugueses?" Aquela pergunta meio que me pegou de surpresa, e respondi que não, que nós brasileiros estávamos torcendo pelos times mais fracos e pelos times do continente americano, e também que agora nos vingaríamos dos europeus pela colonização sangrenta da América pelo futebol! Até que ele disse: "É verdade, eu senti isso. Os brasileiros não tem nada contra ninguém. Vocês aceitam todo mundo muito bem. Nunca senti isso em nenhuma outra parte do mundo! Vocês são muito calorosos! E muito obrigada pela carona! Não precisava, a gente dava um jeito!"
Eu gostei do que ouvi daquele iraniano. Eu gostei de saber que o meu país é conhecido por não odiar ninguém. Mas claro, disse que a nossa rixa com os argentinos é somente no futebol. Não os odiamos e vice-versa. Ele entendeu e riu.
Num outro dia chuvoso, ainda na primeira fase dos jogos, estava num aniversário na casa de uma amiga que o marido dela trabalha numa multinacional que recebeu muitos estrangeiros pra trabalharem aqui durante o Mundial. Nisso, chegaram dois alemães amigos dele muito simpáticos e fiquei conversando com eles. Disseram basicamente a mesma coisa da cidade que os iranianos. A cidade é bem cara, o trânsito é caótico, mas que os cariocas são muito ativos, estavam se sentindo bastante seguros (ok, isso sabemos que foi tudo armado para gringo ver. deixei passar.), e que somos muito legais, receptivos e que pretendiam voltar pra conhecer mais o nosso país.
Confesso. Em ambos os casos, não pude conter minha lisonja e supresa em ouvir pessoas falando tão bem do nosso país. Em ambos os casos, todos eles disseram que viram na tv, notícias das nossas desgraças. As grandes manifestações, a polícia sem limites, as altas taxas de criminalidade, a grande propaganda negativa que é feita do Brasil lá fora. Todos eles ouviram de parentes e amigos que era loucura vir pro Mundial aqui. E vieram. E se surpreenderam.
Eu já viajei e viajo bastante. Posso dizer que NENHUM país é perfeito. Todos tem problemas. E problemas sérios. Se não é assassinato é uma taxa altíssima de suicídio, população depressiva e grupos neo-nazistas. Se não é analfabetismo, é estupro. Se não é uma economia em crise, é uma gorda quantidade de impostos. Se não é uma população com fome, é um país que você não sabe o que acontece lá dentro.
Embora o Brasil tenha praticamente TODOS esses problemas e muito mais, eu não consigo ter síndrome e vira-lata e achar que ele seja o pior país do mundo. A gente consegue rebolar e conviver com todos eles. A gente consegue ajudar e ser ajudado.
A gente consegue ser O ÚNICO PAÍS DO MUNDO que não tem problema com nenhuma outra nação do planeta.
Enquanto o Oriente Médio vive em guerra desde que o mundo é mundo, os EUA invadem qualquer país por causa de qualquer coisa, a Rússia vive se estranhando com suas ex-colônias soviéticas, a Coréia do Norte tá louca pra tacar uma bomba em alguém, a gente só brinca de brigar com a a Argentina por causa de futebol e para por aí também, enquanto até eles disputam as Malvinas com a Inglaterra. Um pedaço de terra medíocre.
Aí veio a Copa do Mundo pra dar um tapa na cara dos brasileiros e ensinar a todos nós como nosso país é bem quisto e bem amado pelos gringos que aqui passaram.
Como a própria seleção alemã, mesmo tendo sido nosso algoz, foi desejada pelo Brasil em vencer a Copa e isso ficou atravessado na garganta dos argentinos.
Nós os tratamos bem e eles, mesmo nos enfiando 7 gols em 90 minutos, nos respeitaram como ninguém mais o fez. Isso não tem preço.
Por todos esses motivos, eu amei a Copa. Amei ver a felicidade dos estrangeiros. E digo: VOLTA, COPA!!
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